Brasileira corre 866 km em uma semana e quebra recorde mundial em esteira

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A ultramaratonista Débora Simas, de 55 anos, estabeleceu um novo recorde mundial feminino de corrida em esteira ao completar 866,21 km em 168 horas. O desafio terminou neste domingo (9), em Florianópolis, após sete dias consecutivos de esforço.

Débora superou a marca da neozelandesa Emma Timmis, que havia percorrido 846,16 km em 2024, em Christchurch, na Nova Zelândia. A brasileira alcançou a distância necessária para o recorde às 9h14 de domingo, mas permaneceu na esteira até o meio-dia para ampliar a nova marca.

Mais de 120 km percorridos por dia

O desafio começou ao meio-dia do domingo anterior e exigiu uma combinação extrema de resistência física, controle do sono e capacidade de continuar correndo mesmo com o acúmulo de fadiga. A distância final representa uma média superior a 123 km percorridos por dia durante uma semana inteira.

Alguns números ajudam a dimensionar o feito:

  • 24 horas: 143,51 km
  • 72 horas: 381,42 km
  • 120 horas: 619,32 km
  • 144 horas: 730,60 km
  • Recorde anterior: 846,16 km
  • Distância final: 866,21 km em 168 horas

A atleta contou que procurou dividir mentalmente o desafio em etapas menores. Em vez de pensar nos mais de 846 km necessários para superar o recorde, concentrava a atenção no próximo quilômetro e no próximo passo.

Recorde foi construído durante dois anos

A conquista não foi uma tentativa improvisada. Débora passou dois anos se preparando especificamente para enfrentar os sete dias na esteira, conciliando os treinamentos com dois empregos. Durante o dia, trabalha em uma agropecuária e, à noite, em uma lanchonete.

Esta também não foi sua primeira tentativa de alcançar o recorde mundial. Em 2019, no mesmo local em Florianópolis, ela completou 800,61 km durante sete dias. Na ocasião, a distância foi suficiente para garantir os recordes brasileiro e sul-americano, mas ainda não a liderança mundial.

O interesse pelo desafio surgiu depois de assistir a uma palestra do ultramaratonista Márcio Vilar, que possui recordes em provas de resistência de longa duração.

Uma trajetória construída nas ultradistâncias

Débora começou a correr há 22 anos e teve um início pouco convencional. Logo em sua primeira competição, uma prova de nove quilômetros, terminou entre as primeiras colocadas. Desde então, acumulou quase 300 participações em eventos de corrida.

A brasileira também se tornou a primeira atleta do país a percorrer 1.000 km em dez dias e foi a primeira a completar a Volta à Ilha em uma dupla exclusivamente feminina. No currículo, ainda aparecem três títulos e recorde na ultramaratona BR-135, além de participações em campeonatos mundiais na Holanda e na Espanha.

A nova marca de 866,21 km representa aproximadamente 20 maratonas e meia percorridas em apenas sete dias. Mais do que a velocidade, o resultado coloca em evidência uma das características centrais das ultradistâncias: a capacidade de continuar avançando quando sono, dores e fadiga passam a ser tão determinantes quanto o condicionamento físico.

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