Traços associados ao TDAH podem aparecer com mais frequência entre corredores de endurance do que na população adulta geral, segundo um estudo publicado na revista Acta Psychologica. A pesquisa avaliou 601 corredores de longa distância, incluindo atletas de meia maratona, maratona e ultramaratona, com idade média de 42,8 anos.
O TDAH, sigla para transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, é uma condição do neurodesenvolvimento que pode envolver dificuldade de atenção, impulsividade, inquietação e problemas de organização. No estudo, os participantes responderam à Adult ADHD Self-Report Scale, uma ferramenta de triagem para sintomas em adultos. Esse tipo de questionário não fecha diagnóstico, mas indica quando os sinais merecem avaliação clínica.
Quase 1 em cada 10 teve triagem positiva
No total, 9,7% dos corredores avaliados ficaram acima do ponto de corte para traços de TDAH. A taxa é superior à prevalência adulta geral citada pelos autores, de cerca de 3,1%. Entre os grupos por distância, os corredores de meia maratona tiveram o maior percentual, com 14,8%, seguidos por ultramaratonistas, com 8,7%, e maratonistas, com 8%. A diferença entre as distâncias, porém, não foi considerada estatisticamente significativa.
Os pesquisadores também não observaram diferença relevante entre homens e mulheres. O fator que mais chamou atenção foi a idade: corredores mais jovens, especialmente abaixo dos 40 anos, apresentaram maior probabilidade de pontuar acima do corte de triagem.
Corrida não deve ser confundida com diagnóstico
O estudo não mostra que correr causa TDAH, nem permite afirmar que corredores tenham o transtorno apenas por treinarem muito. A pesquisa sugere uma associação que precisa ser investigada com mais profundidade.
Uma hipótese é que a corrida de endurance atraia pessoas que se beneficiam de rotina, intensidade física, metas claras e sensação de controle. Outra possibilidade é que alguns corredores usem o exercício como forma de lidar melhor com inquietação, foco e regulação emocional.
O ponto principal é que a corrida pode ser uma aliada importante para a saúde mental, mas não substitui avaliação profissional. Quem identifica sinais persistentes de desatenção, impulsividade ou prejuízo funcional deve procurar acompanhamento especializado.

















