Quem corre no verão já percebeu: o ritmo está confortável, mas a frequência cardíaca sobe mais rápido do que o normal. Em dias quentes, o coração trabalha mais mesmo quando o pace é mais lento. Esse fenômeno é comum, esperado e tem explicação fisiológica clara. Entender o que acontece ajuda o corredor a treinar melhor, evitar exageros e reduzir o risco de desgaste excessivo.
No fim do ano, quando as temperaturas aumentam e o corpo já vem de meses de treino acumulado, ignorar esse sinal pode comprometer a saúde e o desempenho no médio prazo.
O papel do calor no esforço do coração
Durante a corrida, o corpo produz calor constantemente. Em ambientes mais quentes, dissipar esse calor se torna mais difícil. Para evitar o superaquecimento, o organismo envia mais sangue para a pele, favorecendo a perda de calor por meio do suor.
Esse processo exige que o coração bombeie mais sangue a cada minuto. O resultado é uma frequência cardíaca mais alta, mesmo em ritmos considerados leves. Na prática, o esforço cardiovascular aumenta sem que o corredor perceba apenas pelo pace.
Frequência cardíaca mais alta não significa melhor treino
Um erro comum é interpretar a FC elevada como sinal de treino mais eficiente. No calor, isso nem sempre é verdade. Muitas vezes, o coração está trabalhando mais para regular a temperatura corporal, não para sustentar o esforço muscular.
Quando o corredor insiste em manter o mesmo ritmo de dias frios, o custo fisiológico sobe rapidamente. O treino deixa de ser aeróbico leve e passa a gerar um estresse maior do que o planejado, aumentando a fadiga e dificultando a recuperação.
O que fazer quando a FC sobe demais no calor
A primeira atitude é ajustar o ritmo. Em dias quentes, correr mais devagar é uma estratégia inteligente, não um sinal de perda de forma. Usar a frequência cardíaca como referência ajuda a manter o treino dentro de zonas seguras.
Treinar pelo esforço percebido também funciona bem. Se a respiração fica ofegante cedo demais ou a sensação de desconforto aparece rapidamente, o corpo está pedindo desaceleração. Respeitar esses sinais evita sobrecarga desnecessária.
Cuidados essenciais para treinar com segurança
Além do ajuste de ritmo, alguns cuidados fazem diferença no calor. Escolher horários mais frescos, como início da manhã ou fim da tarde, reduz o impacto térmico. Ambientes com sombra e menos asfalto também ajudam a controlar a temperatura corporal.
A hidratação merece atenção especial. No calor, a perda de líquidos e eletrólitos é maior, o que pode elevar ainda mais a frequência cardíaca. Beber água ao longo do dia, e não apenas durante o treino, ajuda a manter o sistema cardiovascular funcionando melhor.
O que evitar nos dias mais quentes
Evitar treinos muito intensos ou longos em horários de sol forte é fundamental. Sessões de tiros, ritmos sustentados no limite ou longões extensos tendem a gerar mais desgaste do que benefício quando a temperatura está elevada.
Outro erro comum é comparar dados de verão com treinos feitos em clima ameno. Pace, FC e sensação de esforço mudam com o calor. Ajustar expectativas faz parte do processo e evita frustrações desnecessárias.
Entender o calor é treinar com inteligência
A frequência cardíaca mais alta no calor não é um defeito, é uma resposta natural do corpo. O problema surge quando o corredor ignora esse sinal e insiste em treinar como se as condições fossem as mesmas.
Adaptar o ritmo, reduzir a carga quando necessário e respeitar os limites impostos pelo clima permite atravessar os meses mais quentes com saúde. Quem entende esse ajuste chega mais inteiro, consistente e preparado para evoluir quando as temperaturas voltarem a cair.

















