Em quase todo plano de treino voltado para provas de média e longa distância, existe um elemento que costuma gerar dúvidas, ansiedade e até certo medo: o longão.
Ele aparece como o treino mais longo da semana, geralmente marcado no fim de semana, e costuma ser tratado como um teste de resistência física e mental. Mas, na prática, o longão vai muito além de simplesmente correr por mais tempo.
Quando bem planejado e executado, esse treino se torna uma das ferramentas mais importantes para evoluir na corrida, ganhar confiança e chegar melhor preparado para provas como 10 km, meia maratona ou maratona.
O que são os longões e por que eles são tão importantes
Os longões são treinos realizados com duração ou distância superiores à média semanal do corredor. Eles têm como principal função preparar o corpo para sustentar esforço contínuo por mais tempo, algo essencial em provas mais longas.
Do ponto de vista fisiológico, esse tipo de treino ajuda o organismo a se adaptar ao uso mais eficiente de energia, melhora a resistência muscular e fortalece estruturas como tendões e articulações. Já no aspecto mental, o longão ensina a lidar com desconforto, variações de ritmo e cansaço progressivo, situações comuns no dia da prova.
Por isso, tratar o longão apenas como “correr até cansar” é um erro comum. Sem intenção e estratégia, ele perde grande parte do seu potencial.
Como definir a distância certa do longão
Um dos primeiros pontos para tirar melhor proveito dos longões é entender que não existe uma distância fixa que sirva para todos. O tamanho do treino precisa conversar com o objetivo da prova, o histórico do corredor e o volume semanal.
Para quem está construindo base ou se preparando para provas de até 10 km, o longão não precisa ser exageradamente longo. Já em ciclos voltados para meia maratona e maratona, ele ganha mais protagonismo e passa a crescer de forma progressiva ao longo das semanas.
O erro mais comum é aumentar a distância rápido demais. Longões eficientes respeitam progressão e constância, não saltos bruscos que só aumentam o risco de fadiga e lesão.
Ritmo: por que correr mais devagar faz diferença
Outro ponto-chave é o ritmo do longão. Muitos corredores cometem o erro de transformar esse treino em uma disputa contra o relógio, correndo mais rápido do que deveriam. Na maioria dos casos, o longão deve ser feito em ritmo confortável, aquele em que ainda é possível conversar em frases curtas.
Isso não significa que ele precise ser sempre lento ou monótono. Dependendo do momento da preparação, o treino pode incluir trechos um pouco mais fortes ou progressivos, mas a base do esforço deve ser controlada. É essa abordagem que permite acumular quilometragem com qualidade, sem comprometer os treinos da semana seguinte.
Alimentação e hidratação também fazem parte do treino
Um longão bem aproveitado não começa apenas quando o relógio é acionado. Ele começa antes, com atenção à alimentação e à hidratação. Em treinos mais longos, o corpo precisa de energia disponível, e ignorar isso costuma resultar em queda brusca de rendimento.
Esse tipo de treino é o momento ideal para testar estratégias que serão usadas na prova, como consumo de água, isotônicos ou carboidratos durante a corrida. Assim, o corredor aprende o que funciona melhor para o próprio organismo, evitando surpresas no dia da competição.
Recuperação: o que fazer depois do longão
Tão importante quanto o treino em si é o que acontece depois dele. Um longão bem executado gera desgaste, e a recuperação adequada é parte fundamental do processo. Sono, alimentação equilibrada e, quando possível, treinos leves nos dias seguintes ajudam o corpo a absorver o estímulo.
Ignorar essa etapa e tentar manter intensidade alta logo após um longão pesado costuma levar ao acúmulo de fadiga. O objetivo do treino é evoluir, não apenas sobreviver a ele.
Ajustando os longões ao objetivo da prova
À medida que a prova-alvo se aproxima, os longões podem ganhar ajustes específicos. Para quem vai correr 10 km, eles ajudam a construir resistência geral. Para quem mira uma meia maratona ou maratona, passam a simular condições reais da prova, seja no ritmo, na duração ou na estratégia de abastecimento.
O mais importante é entender que o longão não é um fim em si mesmo. Ele é uma ferramenta dentro de um conjunto maior de treinos. Quando usado com inteligência, ele deixa de ser um sofrimento semanal e se transforma em um aliado poderoso para evoluir na corrida e chegar mais confiante no dia da prova.

















