O recorde histórico de Sabastian Sawe na Maratona de Londres 2026 não foi construído apenas no treino e no ritmo. Houve um fator decisivo ao longo dos 42 km: a nutrição em prova. Para sustentar um esforço extremo por quase duas horas, o queniano ingeriu cerca de 115 g de carboidrato por hora, um volume considerado alto até mesmo para padrões de elite.
Na prática, isso significa algo próximo de 230 g de carboidrato ao longo da prova. Esse consumo foi distribuído de forma estratégica, com ingestão frequente de bebidas energéticas e géis, garantindo reposição constante de energia sem sobrecarregar o sistema digestivo.
Por que tanto carboidrato faz diferença
Em uma maratona nesse nível, o principal limitador não é apenas o condicionamento físico, mas a disponibilidade de energia. O glicogênio muscular se esgota rapidamente quando o atleta corre próximo do limite, e é aí que entra a reposição externa.
Ao consumir grandes quantidades de carboidrato durante a prova, Sawe conseguiu manter níveis elevados de energia, reduzindo a queda de desempenho nos quilômetros finais. Além disso, esse tipo de estratégia ajuda a diminuir a percepção de esforço, permitindo sustentar ritmos muito altos por mais tempo.
Esse modelo de nutrição, conhecido como “high carb fueling”, vem sendo cada vez mais utilizado no alto rendimento e já está diretamente ligado às maiores performances recentes da maratona.
O que representam 230 g de carboidrato
Para entender o tamanho dessa ingestão, vale traduzir esse número em alimentos comuns:
- Cerca de 6 bananas médias
- Aproximadamente 1 lata de leite condensado
- Em torno de 300 g de arroz cozido
- Cerca de 5 a 6 pães franceses
- Aproximadamente 1,5 litro de suco de laranja
Claro, durante a prova, nada disso é consumido dessa forma. A escolha por bebidas e géis facilita a absorção rápida e reduz o risco de desconforto gastrointestinal.
Nutrição virou peça-chave na maratona moderna
O desempenho de Sawe reforça uma mudança clara no esporte: correr rápido já não depende apenas de treino. A capacidade de absorver grandes quantidades de carboidrato durante o esforço virou um diferencial competitivo.
Hoje, quem busca alto desempenho precisa treinar não só o corpo, mas também a estratégia nutricional. No caso de Londres 2026, ficou evidente que o sub-2 não foi apenas uma questão de ritmo, mas também de energia disponível do início ao fim.

















