Muitos corredores encerram o treino, tiram o relógio, fazem alongamento rápido e seguem o dia como se o trabalho estivesse concluído. Mas a corrida não termina quando você aperta “stop”. O que acontece na primeira hora após o treino pode determinar como seu corpo vai responder nas próximas 24 horas.
Um dos erros mais comuns entre corredores, inclusive os que treinam com regularidade, é negligenciar a alimentação imediata após a corrida. A lógica costuma ser equivocada: evitar um lanche para “economizar calorias” ou esperar até a próxima refeição principal. O resultado, muitas vezes, é fadiga excessiva no fim do dia, recuperação lenta e queda de rendimento ao longo da semana.
Subalimentação: impacto direto na performance
Correr exige energia. Mesmo treinos considerados leves provocam microlesões musculares e esgotam parte dos estoques de glicogênio. Quando o corpo não recebe combustível adequado logo após o esforço, ele entra em déficit energético, dificultando os processos de reparo e adaptação.
A subalimentação pode comprometer não apenas a recuperação muscular, mas também o sistema imunológico, o sono e o equilíbrio hormonal. Em casos persistentes, surgem sinais como cansaço prolongado, dificuldade para manter ritmo nos treinos seguintes, irritabilidade e até alterações no ciclo menstrual, no caso das mulheres.
Para quem treina visando performance ou mesmo saúde, não repor energia após a corrida pode gerar o efeito contrário ao desejado.
A combinação que faz diferença
O princípio é simples: após correr, o corpo precisa de carboidratos para repor o glicogênio e de proteína para iniciar o processo de reparação muscular. A ingestão dessa combinação dentro de um curto intervalo após o treino acelera a recuperação e melhora a capacidade de manter consistência ao longo da semana.
Não é necessário recorrer a soluções complexas. Pequenos lanches podem cumprir esse papel com eficiência. Entre opções práticas estão:
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Torrada ou pão com pasta de amendoim
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Iogurte com cereal ou frutas
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Ovos cozidos acompanhados de uma fonte leve de carboidrato
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Bagel com queijo cremoso e proteína magra
Essas escolhas combinam macronutrientes essenciais sem exigir preparo elaborado. O mais importante é a regularidade.
Após entender essa lógica, fica claro que o pós-treino não é o momento de restrição, mas de estratégia.
Recuperar melhor é treinar melhor
Corredores que priorizam o abastecimento adequado percebem diferença direta na energia ao longo do dia e na qualidade do treino seguinte. A sensação de exaustão extrema horas após a corrida tende a diminuir quando a reposição é feita de forma correta.
Alimentar-se logo após o treino não significa exagerar nas calorias, mas garantir que o corpo tenha os recursos necessários para se adaptar ao estímulo recebido. Em um esporte baseado em repetição e consistência, recuperar bem é parte fundamental do progresso.
A corrida termina quando você cruza a linha do treino. A evolução, porém, começa no que você faz nos minutos seguintes.

















