A longevidade na corrida ganhou mais um capítulo impressionante. Aos 61 anos, o francês Mohammed El Yamani correu a Maratona de Sevilha em 2h28:28 e estabeleceu um novo recorde mundial na categoria 60–64 anos, superando a marca anterior por mais de um minuto e meio.
Para ter ideia do nível da performance, isso significa sustentar um ritmo próximo de 3:32/km durante toda a prova. Um tempo que muitos corredores amadores no auge da idade não conseguem alcançar, e que coloca El Yamani entre os grandes exemplos de consistência no esporte.
Superação após lesões e anos afastado
O feito ganha ainda mais peso pelo contexto. O atleta passou cerca de dois anos sem correr devido a uma sequência de lesões, incluindo problemas no tendão, fraturas vertebrais e dores nas costas. Além disso, ele não disputava uma maratona há três anos.
Mesmo assim, voltou ao mais alto nível. A preparação foi marcada por dúvidas sobre sua capacidade de sustentar o esforço de uma maratona após tanto tempo parado, especialmente já na casa dos 60 anos.
Ainda assim, o resultado veio — e de forma histórica.
Uma trajetória construída com consistência
El Yamani não é um nome novo no cenário master. Ao longo das últimas décadas, acumulou marcas expressivas em diferentes distâncias e categorias, conciliando treinos de alto volume com trabalho e vida familiar.
Mais do que um recorde, a performance reforça um ponto cada vez mais claro na corrida: o envelhecimento não significa necessariamente queda abrupta de desempenho. Com consistência, histórico de treino e adaptação, é possível manter níveis extremamente altos por décadas.
No fim, o caso de El Yamani não é apenas sobre tempo. É sobre longevidade, resiliência e a capacidade de continuar evoluindo mesmo após fases difíceis — algo que define, talvez melhor do que qualquer marca, o que é ser corredor.











