Sara e o pedido de casamento na SP City: “Toda a arena vibrou com a gente!”

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Para entender por que a SP City ocupa um lugar tão grande na história de Sara Vigiano, é preciso voltar um pouco antes da linha de chegada. “Eu comecei a correr em 2017, para tentar superar o luto”. Sua mãe faleceu em 2014, depois de um processo longo de tratamento, e Sara descreve os anos seguintes como uma sequência intensa de altos e baixos, que incluíram depressão, divórcio e mudanças profundas de rotina.

A corrida entrou de maneira prática, quase discreta. “Eu comecei a correr num programa de corrida e caminhada que tinha no meu trabalho e aí não parei mais”. O que era tentativa de resgate virou constância, depois virou identidade. Vieram as meias maratonas, as maratonas, a trilha, o asfalto, e uma vida reorganizada em torno do esporte. “Eu costumo dizer que a corrida me resgatou então sou muito grata ela”.

A própria trajetória profissional também mudou com o tempo. “Eu deixei um ambiente corporativo e hoje trabalho nos eventos das principais corridas do brasil”. A Sara atleta se encontrou com a Sara empreendedora e criadora de conteúdo, e essa mistura ajuda a explicar por que, para ela, algumas provas deixam de ser apenas prova.

SP City 2018: a descoberta de uma prova “em casa”

A SP City apareceu no caminho em 2018, inicialmente como um plano maior. “Era pra ser a minha primeira maratona, mas acabei fazendo os 21.1K naquele ano”. A meia maratona foi a porta de entrada e, de alguma forma, o ponto de partida de uma relação que se repetiria ano após ano.

Mineira, mas moradora de São Paulo há 20 anos, a prova virou um jeito de viver a cidade com outro tipo de energia, com torcida, barulho e aquele clima de rua que transforma o esforço em evento. “Eu queria a corrida, a torcida, a energia de correr em São Paulo”.

Na visão dela, a SP City ocupa um lugar particular no cenário nacional. “É a prova que a gente mais chega perto do que acontece lá fora, nas corridas lá fora do Brasil, em termos de torcida, estrutura, expo, enfim”.

SP City 2019 a 2023: correr, trabalhar e construir presença

A partir dali, a prova deixou de ser um capítulo isolado. Sara conta que voltou diversas vezes desde 2018, alternando distâncias. “Eu corri várias vezes já, se eu não me engano, eu corri todos os anos de 2018 até agora.” Ao mesmo tempo, a história da SP City começou a se misturar com outra dimensão importante da vida dela: o trabalho dentro do próprio evento.

Ela também tem uma marca de óculos esportivos e passou a atuar na prova como parceira. A SP City, então, ganhou uma camada extra: além de correr, havia montar, operar, vender, encontrar pessoas, viver a Expo por dentro. Em 2023, essa relação cresceu.

“Em 2023 eu tive a oportunidade de estar presente em Grande Expo. Foi a primeira prova que a gente participou como logista.” É a versão empreendedora dividindo espaço com a atleta, no mesmo fim de semana, na mesma arena. “Então a minha versão empreendedora também tem uma relação muito grande com a prova.”

SP City 2024: um ano na torcida, e não no pelotão

Nem toda edição precisa ser corrida para continuar fazendo parte da história. Sara menciona um ano em que não alinhou, mas não se afastou do evento. “Eu esqueci dizer que teve um ano que eu não corri, se eu não me engano, em 2024, que aí eu fui torcer, eu tava me preparando pra Chicago”. O gesto diz muito sobre a forma como ela enxerga a cultura da prova.

Na visão dela, estar na rua vibra tanto quanto estar no percurso. “Fui torcer na prova e levar essa cultura para que cada vez mais tenhamos torcedores nas corridas”. E ela define a SP City como referência nesse ponto: “A SP City é um case de muito sucesso em relação a isso.”

SP City 2025: a maratona, o cansaço e o pedido de casamento

O capítulo mais marcante da história dela com a SP City, porém, não termina no tempo do relógio. Termina num gesto combinado, desconfiado, filmado por amigos e vivido no limite do cansaço. “Eu sempre falei pra ele que precisava ter um pedido, que não existe casamento sem pedido, né?” Quando percebeu que aquilo poderia acontecer na prova, começou a brincar com a situação enquanto ainda corria. “Eu comecei a suspeitar e aí eu até brinquei durante a prova com a minha amiga”.

A cumplicidade estava montada. “A gente fez a maratona em conjunto, eu e uma amiga minha. Do início ao fim, eu falava, ‘amiga, quando a gente estiver chegando, se o 𝐉𝐨𝐧𝐚𝐭𝐡𝐚𝐧 for com o pedido de casamento, você me filma”. E havia um detalhe que ela só descobriu depois: “Ela já sabia, inclusive, ela era cúmplice dele, né?”

O pedido veio num cenário em que os dois tinham atravessado a mesma distância, mas de formas bem diferentes. “Ele tinha corrido a maratona também, foi a primeira maratona da vida dele.” A prova dele terminou antes, e a espera virou parte do momento. “Ele fez três horas e poucas, tinha ficado me esperando lá”.

O contexto daquela maratona ajuda a explicar o tom realista com que ela conta a história. Era uma prova-treino, com objetivo simples. “Essa era uma prova treino, eu estava correndo em preparação para a UTMB que eu ia correr no mês de setembro.” E havia o peso do trabalho no evento, que dura dias além do domingo da prova. “A gente trabalha quase 5 dias no evento… movimenta uma semana inteira porque depois que termina o evento tem a desmontagem.”

O pedido, por isso, não virou roteiro perfeito de pós-prova. “Pós-evento não foram grandes comemorações, não foi nada… Instagramável, vamos falar, a vida como ela é, de volta à realidade.” Mas o que aconteceu na chegada foi maior do que qualquer celebração planejada. “Muitos amigos tinha montado toda uma rede de apoio. Muitas pessoas sabiam que ia acontecer esse momento.”

E o ambiente respondeu junto. “A própria arena também vibrando com a gente.” Teve até registro inesperado de quem não conhecia a história, mas sentiu o impacto. “Tinham pessoas desconhecidas que filmaram a gente, depois mandaram pra gente, que ficou emocionada com aquele momento.” No fim, o pedido não foi só um gesto a dois. Foi uma cena coletiva, num lugar que já significava muito. “Então, pra gente, foi muito importante viver isso, um ambiente que pra gente representa tanto, né?”.

SP City daqui pra frente: correr, recomeçar e manter o propósito

Sara fala de corrida como algo que atravessa fases, inclusive quando o corpo e a cabeça mudam. “Hoje eu vivo um processo de recomeço. Isso, devido a algumas questões de saúde.” E o conselho que ela repete tem a ver com memória e intenção. “Lembrar sempre do seu propósito, porque você começou a correr.”

No caso dela, a SP City virou palco desse propósito em várias camadas: a atleta, a empreendedora, a criadora de conteúdo, a mulher que foi pedida em casamento num domingo de prova. E é por isso que ela projeta continuidade. “Espero poder correr a SP City todos os anos quando for impossível”.

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