A 41ª edição da Maratona de Sevilha entrou para a história do atletismo internacional por um detalhe que só a tecnologia foi capaz de definir. Em um dos finais mais impressionantes já vistos na prova espanhola, dois atletas cruzaram a linha de chegada praticamente ao mesmo tempo, após 42 quilômetros de disputa intensa pelas ruas da capital andaluza.
Diante de um novo percurso ainda mais plano e rápido, a edição de 2026 reuniu cerca de 17 mil corredores e elevou o nível técnico da elite masculina. O resultado foi uma corrida estratégica, progressiva e definida no último suspiro.
Ritmo forte desde os primeiros quilômetros
A prova começou com um grupo de frente majoritariamente etíope impondo ritmo alto logo nos primeiros quilômetros. Ainda antes do km 5, o pelotão principal já estava fragmentado. O queniano Justus Kirkorir tentou acompanhar a movimentação inicial, mas o domínio africano rapidamente se consolidou.
Com a saída dos pacers por volta do km 25, restou um grupo reduzido disputando o título. Entre eles, Shura Kitata Tola, Asrar Abderehman e Dejene Hailu Bikila mantiveram o controle da corrida. O ritmo sofreu pequenas oscilações estratégicas, mas o desgaste já começava a aparecer.
No km 41, Bikila perdeu contato, deixando a decisão restrita a dois nomes.
Sprint final decidido no photo finish
A 500 metros da chegada, Abderehman lançou o primeiro ataque. A resposta de Kitata foi imediata. Os dois iniciaram um sprint longo, já sob forte desgaste físico, em uma reta final eletrizante.
Ambos cruzaram a linha praticamente juntos, registrando exatamente o mesmo tempo: 2h03min58s. A definição do vencedor precisou ser feita por photo finish. Inicialmente, Abderehman comemorou acreditando na vitória. Minutos depois, após revisão oficial, o título foi confirmado para Shura Kitata Tola.
O tempo obtido representa a segunda melhor marca da história da Maratona de Sevilha, reforçando o nível elevado da disputa.
Logo após a chegada, os dois atletas, exaustos pela intensidade do sprint, caíram no solo, protagonizando uma das imagens mais emblemáticas da edição.
O pódio masculino foi completado por Dejene Hailu Bikila, com 2h04min17s, consolidando o domínio etíope na prova.
Novo circuito favorece marcas expressivas
A organização estreou um novo circuito ainda mais plano e propício a tempos rápidos. A proposta foi clara: transformar Sevilha em uma das maratonas mais velozes do calendário europeu.
O resultado confirmou a expectativa. A combinação de percurso favorável, clima adequado e um grupo de elite disposto a correr forte até o final produziu uma disputa de altíssimo nível técnico.
Após 42 quilômetros de desgaste progressivo, a igualdade absoluta na linha de chegada simbolizou o equilíbrio da prova.
Elite feminina também tem marca expressiva
Na disputa feminina, a finlandesa Alisa Vainio venceu com 2h20min39s, estabelecendo novo recorde nacional para seu país. A prova teve mudanças estratégicas ao longo do percurso, especialmente após a perda de contato da favorita inicial, a queniana Jackline Chelal.
O pódio foi completado por Beatrice Cheserek, do Quênia, e pela etíope Mulat Tekle Godu.
Entre os espanhóis, Ilias Fifa foi o primeiro atleta nacional a cruzar a linha de chegada na prova masculina, enquanto Fátima Ouhaddou foi a melhor espanhola entre as mulheres.
Uma chegada para a história
A edição 2026 da Maratona de Sevilha ficará marcada não apenas pelo número de participantes ou pelas marcas expressivas, mas pela cena final que sintetiza o espírito da elite mundial: dois atletas entregando tudo até o último centímetro.
Após 2h03min58s de corrida, o título foi decidido por milímetros. E a imagem dos dois corredores desabando logo após a linha de chegada reforça a dimensão do esforço exigido em uma maratona de alto nível.
Sevilha consolidou, mais uma vez, seu espaço entre as provas mais rápidas e competitivas da Europa. E desta vez, com um final que dificilmente será esquecido.











