A corrida por transformar o relógio esportivo em um verdadeiro hub de saúde ganhou um novo capítulo. A Garmin registrou uma patente que descreve um sensor óptico capaz de estimar níveis de glicose de longo prazo diretamente pelo pulso, sem necessidade de agulhas ou sensores subcutâneos. A proposta é ousada e, se avançar, pode ampliar o papel dos smartwatches no acompanhamento metabólico de atletas e praticantes de atividade física.
Diferentemente de soluções que tentam medir a glicose em tempo real, a tecnologia mira a HbA1c, marcador que indica a média da glicose nos últimos dois a três meses. Esse indicador é amplamente utilizado na prática clínica para avaliação do controle glicêmico. A estratégia sugere uma abordagem mais focada em tendência metabólica do que em leitura instantânea.
Como funcionaria a tecnologia
Segundo o registro de patente, o sistema utilizaria sensores baseados em espectroscopia, técnica que analisa como diferentes comprimentos de onda de luz interagem com o tecido biológico. O processo envolveria emissão de luz pelo relógio, captação do sinal refletido e análise por algoritmos avançados capazes de identificar padrões associados à hemoglobina glicada.
Na prática, seria uma evolução dos sensores ópticos já usados para medir frequência cardíaca e saturação de oxigênio. A diferença está na complexidade do sinal analisado e na necessidade de calibração estatística robusta com dados clínicos.
Potencial e ceticismo
A novidade rapidamente gerou reações divididas entre usuários. Enquanto alguns celebram a possibilidade de monitoramento não invasivo, outros questionam a precisão, lembrando que até métricas consolidadas, como VO2max e oximetria, podem apresentar variações consideráveis nos wearables.
O desafio técnico é significativo. Fatores como temperatura da pele, hidratação, pigmentação e posicionamento do relógio podem influenciar a leitura óptica. Além disso, qualquer funcionalidade com alegação médica precisará passar por validação científica rigorosa e aprovação de órgãos reguladores antes de chegar ao consumidor.
A próxima fronteira da saúde esportiva
Hoje, relógios esportivos já monitoram frequência cardíaca, sono, estresse e recuperação. A saúde metabólica surge como novo território estratégico. Caso a tecnologia seja validada, o smartwatch poderá oferecer uma estimativa periódica de tendência glicêmica, auxiliando na prevenção e no acompanhamento de padrões de risco.
Por enquanto, trata-se apenas de uma patente, não de um produto confirmado. Mas o movimento reforça uma tendência clara: o futuro dos wearables passa cada vez mais pela integração entre performance e saúde preventiva.











