Estudo mostra qual tipo de musculação realmente melhora a economia de corrida

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Um novo levantamento científico reforça algo que treinadores já vinham observando na prática: musculação melhora a economia de corrida, mas só quando o método é bem escolhido. A análise reuniu evidências de mais de três dezenas de estudos e mostrou que o tipo de força aplicada faz diferença direta no desempenho, especialmente em corredores mais treinados.

Publicado na revista Sports Medicine, o trabalho avaliou 31 estudos que compararam corredores que incluíram treino de força na rotina com grupos que fizeram apenas treino aeróbio. Ao todo, os dados englobaram mais de 650 atletas, distribuídos entre níveis moderadamente treinados, bem treinados e altamente treinados.

A conclusão central é clara: treino de força melhora a eficiência da corrida, ou seja, permite correr a um mesmo ritmo gastando menos energia. Esse ganho acontece por adaptações neuromusculares, melhora da rigidez dos tendões e maior capacidade de aplicar força no curto tempo de contato do pé com o solo.

Por que força influencia a economia de corrida

A economia de corrida não depende apenas de VO₂ máximo ou limiar de lactato. Ela está diretamente ligada à capacidade do corredor de transformar força em propulsão, com o mínimo de desperdício. Durante cada passada, o tempo para aplicar força é muito curto. Atletas que conseguem gerar mais força em menos tempo tendem a perder menos energia na fase de frenagem e avançar mais eficientemente para a propulsão.

O estudo aponta que esse fator é especialmente relevante em ritmos mais altos, típicos de provas curtas ou trechos decisivos de provas longas.

Carga alta funciona melhor para corredores rápidos

Entre os métodos analisados, o treino com cargas altas e poucas repetições foi o que apresentou os melhores resultados para atletas de alto nível e corredores que competem em velocidades mais elevadas. Esse tipo de estímulo favorece adaptações neuromusculares importantes, como maior recrutamento de fibras musculares e aumento da taxa de desenvolvimento de força.

Na prática, isso significa passadas mais “firmes”, menor tempo de contato com o solo e melhor aproveitamento da energia elástica dos músculos e tendões.

Pliometria ajuda quem corre mais devagar e por mais tempo

Um achado interessante do estudo foi o impacto positivo do treino pliométrico em corredores que atuam em velocidades mais baixas, como aqueles focados em provas longas ou em resistência contínua. Exercícios explosivos aumentam a capacidade de armazenamento e liberação de energia elástica, o que ajuda a sustentar o esforço por mais tempo com menor custo energético.

Esse efeito parece estar ligado à maior elasticidade dos tendões, algo fundamental em provas longas, quando a eficiência acumulada faz diferença no resultado final.

Musculação leve sozinha não basta

Já o modelo clássico de baixa carga e muitas repetições mostrou impacto limitado quando aplicado de forma isolada. O estudo indica que esse tipo de treino não gera estímulo suficiente para alterar a economia de corrida, embora possa ter valor quando combinado com cargas altas ou pliometria, especialmente para corredores iniciantes ou em fases de adaptação.

Treinos isométricos, por sua vez, não mostraram efeito direto na economia, mas podem ter papel complementar em situações específicas, como prevenção de lesões ou simulação de padrões biomecânicos da corrida.

O que muda na prática para o corredor

A principal mensagem do estudo é objetiva: correr bem não depende só de correr mais. Incorporar força ao treino é essencial, mas o método precisa estar alinhado ao nível do atleta e ao tipo de prova. Para quem busca performance, força pesada e pliometria bem dosadas deixam de ser opcionais e passam a ser parte estratégica do treinamento.

No fim das contas, a ciência confirma o que a experiência já mostrava: músculos mais fortes e eficientes ajudam o corredor a ir mais longe, mais rápido e com menos desgaste.

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