A Meia Maratona de Barcelona 2026 confirmou o status da prova como uma das mais rápidas da Europa. Em uma manhã de clima estável, sem chuva e com pouco vento, o percurso urbano praticamente plano ofereceu o cenário ideal para marcas expressivas. O resultado foi uma edição histórica, com recorde do circuito no feminino, tentativa real de recorde mundial no masculino e participação popular recorde.
Mais de 36 mil corredores se inscreveram, número superior ao do ano anterior, consolidando o crescimento contínuo do evento. A largada em ondas ajudou a organizar o fluxo e favoreceu melhores tempos individuais, enquanto a elite entregou uma corrida de altíssimo nível técnico.
Loice Chemnung quebra o recorde da prova com autoridade
A grande protagonista do dia foi a queniana Loice Chemnung. Ela venceu a prova feminina com 1:04:01, quebrando o recorde da Meia Maratona de Barcelona em 12 segundos. A marca anterior era de 1:04:13.
Desde os primeiros quilômetros, Chemnung assumiu postura agressiva. No km 10, já corria cerca de 20 segundos abaixo do ritmo do antigo recorde do circuito. Campeã nacional de 10 km e quarta colocada na Maratona de Chicago em 2025, a queniana mostrou maturidade tática para controlar o desgaste na segunda metade da prova.
O recorde mundial da distância ficou distante, mas o objetivo realista estava claro: vencer e bater a marca histórica da corrida. Ela cruzou a linha de chegada sozinha, consolidando-se entre as mais rápidas da história da meia maratona.
O pódio feminino foi completado por Weini Kelati, dos Estados Unidos, com 1:06:03, novo recorde norte-americano, e pela etíope Diniya Kedir, com 1:06:27.
Gebrhiwet ataca recorde mundial, mas paga o preço no final
Na prova masculina, o etíope Hagos Gebrhiwet protagonizou uma corrida corajosa. Ele manteve ritmo extremamente forte desde o início, mesmo após perder a lebre antes do km 5. No km 10, estava dois segundos abaixo do ritmo do recorde mundial homologado.
A recente decisão de não validar a marca de 56:42 registrada na edição anterior abriu espaço para que o tempo oficial de referência voltasse a ser 57:30. Isso colocou o recorde mundial dentro do radar de Gebrhiwet, que já fazia parte do seleto grupo de atletas abaixo dos 58 minutos na distância.
No entanto, sustentar esse ritmo por 21,097 km exige precisão absoluta. A segunda metade cobrou seu preço. Mesmo com esforço final intenso, os últimos quilômetros foram visivelmente mais duros. Ele cruzou a linha de chegada em 58:05, tempo que se tornou o mais rápido do mundo na temporada até o momento, mas 35 segundos acima do recorde mundial.
Pódio masculino e consolidação internacional
O suíço de origem sudanesa Dominic Lobalu terminou em segundo com 59:25. Ele ficou próximo do recorde europeu, mas não conseguiu superá-lo. O francês Emmanuel Roudolff completou o pódio com 59:35.
A Meia Maratona de Barcelona 2026 mostrou, mais uma vez, por que se consolidou como uma das provas mais importantes do continente. Percurso rápido, organização eficiente, elite internacional forte e um número recorde de participantes criaram uma combinação rara.
Entre recordes, ataques ousados e marcas expressivas, Barcelona entregou uma edição que reforça sua posição no calendário mundial. Uma prova desenhada para correr rápido — e, em 2026, executada quase no limite absoluto.











