“A corrida é a cura física e mental”: Patrícia encontrou na SP City um novo propósito após superar doença rara

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Algumas histórias de maratona começam com um objetivo esportivo. Outras começam muito antes, em momentos difíceis da vida. No caso de Patrícia Aparecida Hoffman, conhecida entre amigos como Paty, a linha de chegada da SP City Marathon representa algo muito maior do que um tempo no relógio.

Cada participação na prova se conecta a uma trajetória marcada por doença, superação e uma profunda gratidão pela vida. Hoje ultramaratonista e presença recorrente na SP City, Paty carrega uma história que começou décadas antes de calçar o primeiro par de tênis para correr.

O diagnóstico que mudou tudo

Paty tinha apenas 21 anos quando recebeu um diagnóstico que mudaria completamente sua vida. Em 1998, depois de cerca de dois anos tratando sintomas que inicialmente pareciam alergias e rinite, surgiram sinais mais graves. Ela começou a ter irritação nos olhos, voz anasalada e dificuldade para mastigar.

Com o tempo, os sintomas se intensificaram. Em um episódio mais agudo, sua voz simplesmente não saía, ela não conseguia engolir, passou a ter visão dupla e suas pálpebras caíram completamente. Foi um oftalmologista quem levantou a primeira suspeita. “Ele me disse: ou eu estou enganado ou você está com uma crise miastênica.”

Até aquele momento, Paty nem sabia o que era miastenia gravis. A doença neuromuscular autoimune ainda era pouco conhecida no final dos anos 1990. Após uma série de exames, ela foi encaminhada para especialistas da Unesp de Botucatu, onde recebeu o diagnóstico definitivo e passou por uma cirurgia chamada timectomia, procedimento que remove o timo. Depois da cirurgia, os sintomas entraram em remissão.

A corrida entra na história

Durante muitos anos, a corrida ainda não fazia parte da vida de Paty. Foi apenas em 2013 que o esporte apareceu como uma possibilidade de mudança. Naquele ano, ela perdeu a mãe para um câncer de intestino. O impacto emocional foi grande e, pouco depois, ela também desenvolveu diabetes tipo 2.

A recomendação médica foi clara: era preciso começar alguma atividade física. A inspiração veio dentro de casa. Sua irmã já corria, e Paty decidiu tentar. No começo, tudo era muito simples. Ela começou trotando um quilômetro, acompanhada por um personal trainer. Aos poucos, a corrida foi deixando de ser apenas um exercício e passou a ocupar um espaço maior em sua vida.

Com o tempo, ela percebeu mudanças importantes. “Sentia meu corpo mais ativo. Aquela sensação de cansaço tinha melhorado.”

O encontro com a SP City Marathon

A maratona apareceu quase como um desafio familiar. A ideia inicial partiu do cunhado, que queria completar seus primeiros 42 km. O plano rapidamente virou coletivo: Paty, a irmã, o marido e o cunhado correriam juntos. Mas pouco antes da prova, o cunhado se lesionou. No final, apenas Paty, a irmã e o marido seguiram com o plano.

Foi assim que ela chegou à sua primeira maratona da SP City Marathon em 2016. O objetivo era simples. “Meu sonho era terminar. Não me preocupar com pace. Era só agradecer a Deus pela vida e pela saúde”. Paty cruzou a linha de chegada em 5h10. Mais do que o tempo, aquela prova marcou o início de uma relação duradoura com a SP City.

Uma prova que virou parte da história

Desde então, a SP City Marathon se tornou um ponto fixo em sua trajetória. Paty já participou da maratona três vezes: 2016, 2018 e 2024. Cada edição trouxe um significado diferente, mas foi a prova de 2024 que se transformou em um dos momentos mais marcantes da sua vida como corredora.

Durante a preparação para aquela maratona, em junho de 2024, Paty voltou a enfrentar sintomas da miastenia gravis. Ela sentiu fraqueza muscular e novamente teve queda das pálpebras. Exames confirmaram uma crise da doença. Por alguns dias, a dúvida apareceu e ela se perguntava se ainda conseguiria correr longas distâncias. Mesmo assim, seguiu em frente. E a linha de chegada da SP City daquele ano trouxe uma emoção ainda maior.

“Foi a melhor sensação da minha vida”. Além de completar a prova, Paty ainda conquistou seu melhor tempo na distância: 4h24. Aquele resultado não foi apenas uma marca esportiva. Foi uma confirmação de que ainda podia continuar correndo.

Para Paty, a SP City Marathon representa muito mais do que um evento esportivo. Ela costuma dizer a outros corredores que quem quer fazer sua primeira maratona deveria considerar a prova. Segundo ela, a estrutura e a energia do percurso tornam a experiência especial. “É uma estrutura sem igual. O cuidado com o atleta e a energia da música nos pontos turísticos não tem explicação”.

Correr como forma de agradecer

Se a SP City ajudou a marcar momentos importantes da sua trajetória, a corrida também passou a representar algo ainda maior na vida de Paty. A doença trouxe medo e dúvidas sobre o que ela ainda seria capaz de fazer. Com o tempo, a corrida se tornou uma maneira de responder a essas perguntas.

Em 2025, ao completar 28 anos da cirurgia que ajudou a controlar a miastenia gravis, ela decidiu celebrar a vida de uma forma especial. Foi além das maratonas e encarou uma ultramaratona solo de 75 km em Bertioga. Para ela, aquela corrida foi uma forma de agradecer.

Hoje, Paty continua correndo pelas ruas com a mesma motivação que a levou à sua primeira SP City. A maratona pode ser o centro da história, mas o significado vai muito além da distância. “A corrida é a cura física e mental”, resume ela.

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