Homens são consideravelmente mais propensos do que mulheres a sofrer uma grande queda de ritmo na segunda metade de uma maratona. A conclusão vem de um estudo publicado na revista Scientific Reports, que analisou 873.334 resultados da Maratona de Berlim entre 1999 e 2025.
Os pesquisadores definiram o chamado “muro da maratona” como uma desaceleração de pelo menos 20% na segunda metade da prova em comparação com a primeira. Dentro desse critério, 17,63% dos homens quebraram, contra 9,66% das mulheres. Na comparação geral, os corredores do sexo masculino apresentaram o dobro da probabilidade de sofrer essa queda acentuada de desempenho.
Diferença cresce entre os corredores mais rápidos
A diferença apareceu em todas as faixas de desempenho e foi ainda mais expressiva entre atletas que terminaram abaixo de três horas. Nesse grupo, 1,42% dos homens atingiram o critério de quebra, ante apenas 0,23% das mulheres. Isso representa uma probabilidade aproximadamente seis vezes maior entre os homens, mesmo em uma categoria formada por corredores altamente treinados.
O padrão também ficou evidente nos parciais de cinco quilômetros. Entre os corredores com dados completos, cerca de 52% das mulheres mantiveram o ritmo sem apresentar um ponto claro de deterioração sustentada, enquanto apenas 36% dos homens conseguiram o mesmo. Na comparação entre os trechos de 5 a 10 km e de 35 a 40 km, o ritmo masculino piorou em média 17,8%, contra 12,6% entre as mulheres.
Por que os homens quebram mais?
O estudo não identificou uma causa única. Uma das hipóteses é que homens adotem estratégias mais agressivas no início, correndo perto demais do próprio limite e pagando o preço após os 30 quilômetros. Questões relacionadas à confiança, competitividade e maior disposição para assumir riscos também podem influenciar as decisões de ritmo, mas essas variáveis psicológicas não foram medidas diretamente.
Diferenças fisiológicas também podem contribuir. Pesquisas anteriores indicam que mulheres tendem a utilizar proporcionalmente mais gordura durante exercícios prolongados, o que pode preservar glicogênio por mais tempo. Essa característica ajudaria a retardar a fadiga associada ao esgotamento das reservas de carboidrato, embora o novo trabalho não tenha medido glicogênio, metabolismo, frequência cardíaca ou consumo de oxigênio dos participantes.
Controle de ritmo continua sendo decisivo
A principal lição prática vale para qualquer corredor: condicionamento não compensa uma estratégia incompatível com a preparação. Largar acima do ritmo sustentável aumenta o consumo de carboidrato, antecipa a fadiga e transforma pequenas oscilações iniciais em grandes perdas no trecho final.
Uma estratégia mais conservadora nos primeiros quilômetros, abastecimento previamente testado e atenção ao esforço real podem aumentar as chances de manter o ritmo. O próprio estudo sugere que muitos homens poderiam se beneficiar de uma abordagem semelhante à observada entre as mulheres: início controlado, menor variação de pace e tentativa de fechar a prova de forma estável.
Os resultados, porém, incluem apenas atletas que terminaram a Maratona de Berlim. Corredores que abandonaram após uma quebra severa ficaram fora da análise, o que significa que a frequência real do problema pode ser ainda maior.











