A Maratona do Rio viveu uma edição histórica em 2026. No domingo, 7 de junho, a prova principal dos 42,195 km fechou o festival de corrida com recordes, domínio africano na elite e um novo percurso que ajudou a transformar a disputa em uma das mais rápidas já realizadas no país. A largada aconteceu às 5h30, na Praia da Reserva, e a chegada foi no Aterro do Flamengo, em um trajeto praticamente todo à beira-mar.
O grande marco veio na disputa feminina. A etíope Gadise Mulu Demissie venceu com 2h25min47s, estabelecendo a melhor marca de uma mulher em maratonas realizadas no Brasil, desconsiderando o recorde olímpico dos Jogos Rio 2016. O desempenho foi ainda mais simbólico porque não se tratou de uma vitória isolada: as oito primeiras colocadas correram abaixo da antiga referência de 2h29min48s, feita pela etíope Tiringo Mulu na Maratona de Porto Alegre de 2025.
Elite feminina transforma a prova em capítulo histórico
Gadise chegou ao Rio para disputar apenas a segunda maratona da carreira. Mesmo com a pouca experiência na distância, conseguiu impor um ritmo forte e vencer uma prova marcada por profundidade técnica. Atrás dela, outras cinco etíopes completaram a sequência de alto nível: Tirfi Tsegaye Beyene, Azmera Abrha Gdey, Affera Godfay Berha, Zinash Debebe e Ayinadis Teshome Birle.
A presença africana também elevou o padrão competitivo das brasileiras. Amanda Aparecida de Oliveira foi a melhor atleta nacional, terminou em 11º lugar e marcou 2h38min58s, resultado importante em uma prova de alto nível internacional. A corredora destacou a relação afetiva com o evento, já que foi no Rio que ela estreou na maratona, e valorizou a evolução no novo percurso.
Masculino tem disputa decidida nos metros finais
Entre os homens, a vitória ficou com o etíope Tsegaye Getachew, em 2h10min22s. O tempo quebrou o recorde da Maratona do Rio, mas ficou a apenas um segundo da melhor marca em maratonas realizadas no Brasil, obtida uma semana antes por Daniel Kiprono Sang em Porto Alegre, com 2h10min21s.
A disputa masculina foi apertada até o fim. Atnyaehu Dagnachew Yisma, também da Etiópia, ficou em segundo com 2h10min24s, apenas dois segundos atrás do vencedor. O norte-americano Daniel Mesfun Teklebrhan completou o pódio com 2h10min45s. O melhor brasileiro foi Melki Messias Ribeiro, décimo colocado geral, com 2h16min48s e recorde pessoal.
Novo percurso reforça ambição internacional
A edição de 2026 marcou a estreia de um desenho mais rápido, com largada na Praia da Reserva e passagem por trechos como São Conrado, Avenida Niemeyer, Leblon, Ipanema e Copacabana antes da chegada no Aterro do Flamengo. O clima também ajudou. A temperatura estava baixa para os padrões cariocas, com cerca de 15 graus no início da manhã, condição rara e favorável para performance.
O evento reuniu quase 70 mil inscritos entre 5K, 10K, 21K e 42K. Segundo levantamento divulgado, 57.565 corredores concluíram alguma das quatro distâncias, sendo 14.205 somente na maratona, aumento de 8,2% em relação a 2025. A prova também reforçou seu formato de festival, com quatro dias de programação, ativações, shows, experiências na Marina da Glória e impacto econômico estimado em R$ 800 milhões.
Pódio masculino da Maratona do Rio 2026
- Tsegaye Getachew, Etiópia, 2h10min22s
- Atnyaehu Dagnachew Yisma, Etiópia, 2h10min24s
- Daniel Mesfun Teklebrhan, Estados Unidos, 2h10min45s
- Mustapha Houdadi, Marrocos, 2h10min51s
- Victor Kipchirchir, Quênia, 2h11min02s
Pódio feminino da Maratona do Rio 2026
- Gadise Mulu Demissie, Etiópia, 2h25min47s
- Tirfi Tsegaye Beyene, Etiópia, 2h26min03s
- Azmera Abrha Gdey, Etiópia, 2h26min20s
- Affera Godfay Berha, Etiópia, 2h26min37s
- Zinash Debebe, Etiópia, 2h26min55s











