SP City em família: Fernando Rocha, Joaquim e uma linha de chegada em capítulos

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Para muita gente, a primeira maratona é um marco planejado por meses, com escolha cuidadosa de prova, calendário, hotel e estratégia. Para Fernando Rocha, o início foi menos calculado e mais teimoso. “Eu já corria há algum tempo, tinha feito 21 km, aí um amigo meu falou: agora falta você fazer a maratona”. A frase ficou na cabeça, mas não virou decisão imediata. “Eu fui pesquisar, vi que era o dobro da quilometragem, fiquei meio na dúvida”.

A dúvida fez Fernando buscar orientação com quem já tinha estrada. O primeiro pedido de ajuda não saiu como ele esperava. “Eu fui pedir ajuda para um amigo meu, que já era maratonista há muito tempo… e ele me respondeu de uma forma que eu não gostei muito… ele falou que maratona não era para qualquer um”.

O incômodo virou combustível. Em vez de desistir, ele procurou outro amigo. “Pedi ajuda para uma outra pessoa, um amigo meu da academia, que é ultramaratonista, e ele me ajudou já de prontidão, montou uma planilha”. A consequência dessa escolha foi direta: a estreia aconteceu e abriu um ciclo que não parou mais. A SP City, que entrou “por acaso” na primeira vez, virou referência de retorno, e também cenário de vida.

SP City 2019: a estreia e uma homenagem no caminho

A primeira maratona tem, para ele, uma imagem que define bem o capítulo. “Se você for ver, tem umas fotos lá… eu tô sozinho.” Não é uma frase de isolamento, e sim de contexto: naquele início, o ritual ainda não tinha virado tradição familiar. “Só o meu amigo que me ajudou no treinamento que estava lá, tirou até foto”.

No meio da preparação de 2019, uma perda atravessou o ciclo. Fernando cita um tio próximo, que morreu durante aquele período. “Valeu, tio Zé… que era um tio próximo que faleceu durante a preparação, em 2019.” A homenagem entrou na memória daquela estreia e virou parte do significado do primeiro 42 km dele na SP City.

Quando a chegada vira palco: o chá revelação na SP City

Depois da primeira maratona, a SP City deixou de ser apenas uma prova no calendário e passou a concentrar momentos que não cabem no relógio. Quando Fernando e a esposa descobriram a gravidez, surgiu uma dúvida prática: como fazer um chá revelação.

Entre o desejo de algo diferente e o orçamento apertado, eles decidiram juntar tudo no lugar que já tinha peso emocional. “A gente estava apertado também… a gente rezou e falei: vamos unir tudo, útil e agradável, já estou treinando para maratona e a gente faz na chegada.”

A esposa topou e a família virou parte do plano. “A gente reuniu a família, reuniu amigos.” Fernando conta que não sabia dos detalhes do momento final, e que a organização ficou com os familiares. “Eu peguei o exame, entreguei na mão da minha cunhada… eles compraram o sinalizador.” Na linha de chegada, o roteiro se completou: “Quando eu fui cruzar, eles estavam me esperando, já acendemos e aí descobrimos o sexo… foi o Joaquim.”

Joaquim no colo, Joaquim andando, Joaquim correndo

A partir dali, Fernando descreve a SP City como uma sequência afetiva em capítulos. A primeira grande cena foi o chá revelação. Depois, veio a travessia com o filho nos braços. “Em outra edição, eu peguei o Joaquim no colo e eu travessei com ele nos meus braços.” O gesto simples virou símbolo do que a prova passou a representar, uma linha de chegada que reúne família e amigos.

Com o tempo, o Joaquim deixou de ser carregado e passou a participar do jeito dele. Fernando lembra que, em uma das edições, o menino cruzou andando ao lado do pai, ainda sentindo o impacto da multidão e do barulho. “Ele atravessou comigo andando… ficou um pouco com receio, muita gente… atravessou andando, um pouco tímido.”

Na edição mais recente, a história ganhou mais um degrau. “A quarta vez agora, ele atravessou junto comigo correndo também.” Para Fernando, a sequência fecha um arco bonito: do corredor sozinho na primeira maratona até o filho dividindo a chegada, primeiro no colo, depois andando, agora correndo.

A prova que “respeita os corredores”

Fernando também conta essa relação com a SP City a partir do grupo com quem treina. Ele fala do FR Runners, um grupo da Zona Leste, de Ermelino Matarazzo, e define os integrantes como “corredores da madrugada”. “A gente sempre corre na madrugada”, diz, descrevendo uma rotina típica de quem encaixa treino no horário possível.

“Quando abre a inscrição da SP City, todo mundo já vai fazendo.” A explicação passa pelo jeito como trata o corredor. “Os organizadores respeitam muito os corredores mais lentos, como a gente.” Ele completa esse retrato sem glamour. “Nós somos corredores normais, nós trabalhamos, alguns trabalham, estudam, correm, a maioria é pai de família.”

No fim, a maratona aparece como algo que reorganiza rotina e cabeça. “A maratona muda a gente durante quatro meses, três meses, que a gente tá se preparando.” E ele fecha com a síntese do que a SP City virou no grupo e na família: “É bom pra saúde, é uma festa e a gente gosta muito.”

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