“Foi ali que eu me reencontrei”: SP City Marathon transformou a história de Jefferson Mello

Facebook
X
WhatsApp

Algumas histórias de maratona começam com metas de tempo. Outras começam muito antes, em contextos que vão além da corrida. Para Jefferson Mello, a SP City Marathon representa exatamente esse tipo de trajetória. Mais do que uma prova, ela se tornou um ponto de virada em sua vida, um espaço em que correr deixou de ser apenas desempenho e passou a significar reconstrução pessoal.

Hoje, ele fala com clareza sobre o impacto dessa prova na sua história. Foi dentro da SP City que conseguiu atravessar um dos momentos mais difíceis da vida e transformar a corrida em algo muito maior do que quilômetros percorridos.

Antes da SP City: o começo em Perus

Jefferson começou a correr em 2011, ainda jovem, morando em Perus, na zona norte de São Paulo. Em um bairro com poucas referências positivas e marcado por dificuldades, foi um grupo de corredores mais velhos que mudou sua trajetória. Homens de 50, 60 anos que o apresentaram à corrida e, principalmente, a um novo caminho.

A corrida entrou como alternativa em meio a um ambiente onde, segundo ele, as referências eram muitas vezes negativas. Ainda adolescente, participou de provas como a São Silvestre e outras corridas pelo país. Mas, com a faculdade, veio uma pausa de alguns anos, interrompendo essa relação com o esporte até o retorno em 2018.

SP City 2019: a prova que não terminou

O primeiro encontro com a SP City Marathon aconteceu em 2019. Era um passo importante, a tentativa de completar os 42 km em uma prova grande, dentro da própria cidade. Mas a experiência não terminou como esperado. Durante o percurso, Jefferson passou mal e não conseguiu concluir a maratona. A frustração ficou marcada não apenas pelo resultado, mas pela sensação de algo inacabado. A prova, naquele momento, deixou uma pendência, mas ele não desistiu: “Eu falei: ‘vou voltar para essa prova!’”.

SP City 2022: o dia que mudou tudo

Jefferson voltou para a SP City em 2022, mas em um contexto completamente diferente. Ele enfrentava um período de depressão, lidava com problemas pessoais e com a perda recente da mãe. A corrida já não era sobre desempenho. A preparação não foi ideal, os treinos ficaram longe do planejado, mas havia um objetivo maior: seguir em frente. Durante a prova, ele mudou completamente a forma de enxergar aquele momento.

“Eu estava ali, mas sabia que não estava sozinho. Eu estava correndo por familiares e por pessoas que sempre estiveram ao meu lado.” Ao cruzar a linha de chegada, a emoção tomou conta. Jefferson finalizou a prova chorando, em cerca de 3h26, em um dos momentos mais marcantes da sua vida. O tempo perdeu importância diante do significado daquele dia. “Foi um momento excepcional”.

SP City 2023: evolução e maturidade

No ano seguinte, a relação com a prova já era outra. Em 2023, Jefferson voltou mais preparado, com mais experiência e melhor entendimento da maratona. A evolução apareceu tanto na forma de correr quanto no resultado. Ele conseguiu estruturar melhor a prova, controlar o ritmo e aplicar estratégia. O resultado foi uma maratona mais consistente, fechada em 3h17. Mais do que o tempo, foi a sensação de crescimento que marcou aquela edição. “Eu já estava mais maduro, entendia melhor como a corrida funcionava”.

SP City 2024: consistência e conexão com a prova

Em 2024, a progressão continuou. Jefferson voltou a correr os 42 km e melhorou novamente seu desempenho, completando a prova em 3h13. Mas, naquele ponto, a relação com a SP City já ia além de números. Ele passou a enxergar o percurso de forma simbólica. Trechos como a subida da 23 de Maio ganharam significado dentro da própria narrativa da corrida e da vida. “A 23 de Maio mostra muito da vida. Você sobe, enfrenta dificuldade, e depois vem a descida. É como uma montanha-russa”. A SP City deixava de ser apenas uma prova e se consolidava como parte da sua trajetória pessoal.

SP City 2025: quando a corrida vira missão

Na edição mais recente, em 2025, Jefferson viveu a prova de uma forma diferente. Ele participou como pacer, ajudando um grupo de corredores a buscar o sub-3h. O foco deixou de ser individual e passou a ser coletivo. No quilômetro 35, já dentro da USP, o grupo seguia forte. A experiência foi marcada pela sensação de missão cumprida ao ajudar outras pessoas a alcançarem um objetivo importante. “Foi uma missão. Ver as pessoas realizando esse sonho foi muito especial”. A corrida, naquele momento, se transformou em algo compartilhado, baseado em apoio, união e companheirismo.

SP City 2026: uma promessa com a largada

Para 2026, Jefferson já está inscrito e pretende mais uma vez alinhar para os 42 km. A edição marca os 10 anos da prova, o que aumenta ainda mais a expectativa em torno do evento. Para ele, estar na largada não é apenas mais uma participação. É parte de um compromisso pessoal construído ao longo dos anos. “Eu pretendo correr todas as edições enquanto tiver saúde”.

Mais corrida e futuro no esporte

Jefferson segue com objetivos claros, mas com uma visão madura sobre a corrida. Depois de conquistar a chance de correr a Maratona de Boston em 2025, onde foi o quarto melhor brasileiro com 2h36, ele pretende voltar ainda mais forte, buscando se aproximar da marca de 2h30. Mesmo assim, deixa claro que o resultado não define sua relação com o esporte.

Como corredor amador, conciliando treinos com o trabalho, ele entende seus limites e valoriza o processo. Para além da performance, seu foco segue sendo correr com propósito, incentivando outras pessoas e mantendo viva a essência que encontrou na corrida. Entre os sonhos, ainda guarda o desejo de um dia correr a Maratona de Chicago, acreditando que, com o tempo, essa conquista também pode acontecer.

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Never miss any important news. Subscribe to our newsletter.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não perca nada importante! Inscreva-se em nossa newsletter

Posts Recents

Editor's Pick