Corridas de rua crescem 85% em 2025 e transformam o calendário esportivo no Brasil

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O calendário de corridas de rua no Brasil viveu, em 2025, um dos momentos mais intensos de sua história recente. Um levantamento nacional apontou que o número de provas oficiais saltou de 2.827 em 2024 para 5.241 no ano passado, um crescimento de 85% em apenas doze meses. O dado confirma algo que corredores, organizadores e marcas já percebiam na prática: correr deixou de ser apenas um hábito esportivo para se consolidar como um dos principais fenômenos do esporte participativo no país.

Os números foram apresentados durante o 4º Summit ABRACEO/CBAt e refletem um recorte criterioso do setor. O estudo considerou apenas corridas oficiais, respeitando a legislação nacional, as bases da Confederação Brasileira de Atletismo, das federações estaduais e do Distrito Federal, com cuidado para evitar duplicidades entre cadastros. O resultado é um retrato consistente de um mercado que cresce em volume e começa, ao mesmo tempo, a discutir maturidade e sustentabilidade.

São Paulo lidera em volume, mas crescimento se espalha pelo país

Em números absolutos, São Paulo manteve a liderança como o estado com maior quantidade de corridas de rua realizadas em 2025. Foram 1.311 eventos ao longo do ano, consolidando o estado como principal polo do país. Na sequência aparecem Paraná, com 645 provas, e Santa Catarina, com 478, dois estados que já possuem tradição no calendário nacional e forte presença de organizadores estruturados.

Mas o dado mais simbólico do levantamento aparece quando o olhar se volta para o crescimento proporcional. Alagoas registrou a maior expansão do país, saltando de apenas quatro corridas em 2024 para 36 em 2025, uma alta de 800%. Sergipe, Paraná e Santa Catarina também apresentaram avanços expressivos, enquanto São Paulo, mesmo partindo de uma base elevada, cresceu 79% em relação ao ano anterior. O cenário mostra que a corrida de rua deixou de ser concentrada apenas nos grandes centros e passou a ocupar espaço em regiões antes pouco exploradas.

O papel da organização e da regulamentação no avanço do setor

Parte desse crescimento está diretamente ligada ao fortalecimento institucional do segmento. Durante o Summit, foi anunciado um protocolo de intenções envolvendo a ABRACEO, a CBAt, federações estaduais e representantes de secretarias municipais e estaduais de esporte. O objetivo central é ampliar o diálogo sobre a obrigatoriedade do Permit, a autorização que regulamenta a realização das corridas de rua no país.

O Permit estabelece critérios claros para a execução das provas, como estrutura mínima, segurança, número de banheiros, hidratação, ambulâncias, entrega de kits, medalhas e premiação da elite quando aplicável. Em 2025, os eventos que operaram com Permit cresceram 47%, um dado que reforça a busca por provas mais organizadas e alinhadas às exigências legais. A tendência é que, com mais informação e padronização, o corredor tenha experiências mais seguras e consistentes, independentemente do tamanho do evento.

Um mercado que cresce e começa a amadurecer

Se os números impressionam, a leitura estratégica do setor aponta para uma mudança de fase. Após dois anos de crescimento acelerado, o mercado de corridas de rua começa a discutir não apenas quantidade, mas qualidade. Dados apresentados por plataformas de inscrição indicam que, após altas expressivas em 2024 e 2025, a projeção para 2026 é de um crescimento mais moderado, em torno de 15%, ainda assim sustentado por uma base sólida.

Esse movimento não representa perda de força, mas sim um ajuste natural. Em 2025, quase 90% dos eventos esportivos realizados no Brasil estavam ligados à corrida de rua, o que reforça sua posição dominante no esporte amador. A discussão agora envolve temas como experiência do atleta, uso inteligente de dados, sustentabilidade financeira dos eventos e profissionalização dos organizadores.

O que esse cenário significa para quem corre

Para o corredor, o crescimento do calendário traz oportunidades e desafios. Há mais provas disponíveis, em mais cidades, com diferentes formatos e propostas. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de escolha consciente. Nem toda corrida oferece a mesma estrutura, percurso ou proposta esportiva. Entender se o evento é oficial, se possui Permit e qual é o perfil da organização passa a fazer parte da preparação, assim como o treino.

O avanço do setor também cria espaço para provas mais bem segmentadas, calendários mais equilibrados e experiências que vão além da simples largada e chegada. Em um mercado mais maduro, a tendência é que o corredor seja cada vez mais tratado como parte central do ecossistema, e não apenas como número de inscrição.

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