Juliane Maria Tavares: da corrida como refúgio à maratona que virou encontro coletivo na SP City Marathon

Facebook
X
WhatsApp

“Não sou uma corredora de pace baixo, mas gosto demais de correr porque me sinto livre.” A frase resume bem quem é Juliane Maria Tavares. Professora, mãe, embaixadora de corrida em sua cidade e corredora desde 2016, ela construiu uma trajetória marcada menos por números e mais por significado. “A corrida me mostra que o que é difícil não é impossível”, diz.

Juliane começou caminhando. Depois veio a corrida. Ao longo dos anos, já soma mais de 150 provas, mas nenhuma experiência foi tão impactante quanto a SP City Marathon. “É incrível, uma sensação surreal”, define. Toda a preparação foi feita em Ji-Paraná, em Rondônia, sua cidade. Em muitos dias, sozinha; em outros, acompanhada por amigos que vinham até de cidades vizinhas para correr com ela.

Treinar onde dá, do jeito que dá

A rotina de treinos exigiu adaptação. Percursos curtos, repetidos várias vezes, longões feitos “indo e voltando”. Um dos momentos mais difíceis veio ainda no ciclo. “O maior desafio no ciclo foi fazer quinze quilômetros num percurso de seiscentos metros”, relembra. Era cedo, ainda de madrugada. “Tinha que ser muito cedo, era numa terça-feira, e eu fiquei fazendo quinze quilômetros indo e voltando.”

Os longões aumentaram. Vieram os 28 km, depois os 30. “O percurso mais difícil pra mim foi o de trinta quilômetros, foi bem difícil.” O maior treino chegou a 36 km. Tudo isso sem mudar de cidade, sem grandes estruturas, apenas com disciplina e constância.

A escolha pela SP City

A ideia inicial era correr a maratona em sua própria cidade. Mas um amigo, Leandro, mudou seus planos. Ele falou: “Ju, como você gosta muito de gente, de estar cercada de pessoas, na sua cidade a maratona é muito pequena. Quase não tem ninguém participando. É melhor você fazer aqui em São Paulo.”

A escolha pela SP City também tinha um lado afetivo. Juliane já conhecia São Paulo de outras provas. “Eu já fui em São Paulo cinco vezes”, conta, citando as edições da São Silvestre que correu entre 2021 e 2025. “Escolhi essa prova por ser uma prova alegre, em que tem muita gente, onde estão pessoas que eu gosto muito e que eu conheci na São Silvestre.”

Um ciclo que virou coletivo

Ao decidir correr a maratona, Juliane não quis fazer isso sozinha. Convidou amigos para participarem de um desafio paralelo. “Eles poderiam fazer duzentos, quinhentos ou mil quilômetros no período que eu fizesse o ciclo da maratona.” O resultado superou qualquer expectativa. “Foram oitenta e cinco pessoas do Brasil inteiro que adquiriram a camiseta e fizeram o desafio.”

“Com o dinheiro da camiseta eu comprei o tênis que eu fiz a maratona.” Para ela, o mais importante foi ver outras pessoas se movimentando. “Foi incrível incentivar essas pessoas a estarem também se desafiando, a fazerem o ciclo comigo indiretamente.”

A prova, o tempo e o que ficou

Juliane tinha um objetivo inicial. “Eu queria muito ter feito a prova em cinco horas, mas não consegui. Fiz em cinco horas e trinta e seis.” Mas o tempo nunca foi o centro da história. “Meu objetivo não é tempo, não é terminar rápido. É conseguir concluir.”

Depois dos 30 km, o desgaste apareceu. “Meu treinador fez o percurso depois dos 30 km. Eu ia contando os quilômetros que faltavam, depois do km 33 eu me perdi nas contas.” Antes da largada, um momento especial: “Meu filho de 12 anos me ligou de Rondônia. Em RO era quatro da manhã.” Eles combinaram de se falar na chegada. Não aconteceu. “No fim eu só queria chegar e falar com ele.”

Na linha de chegada, vieram as lágrimas. “Meus amigos que foram de fora estavam na linha de chegada. Foi incrível demais. Chorei muito de emoção.” E a definição final: “A SP City é uma prova surreal de linda.”

Correr para inspirar

Em 2020, durante a pandemia e após uma separação, a corrida ganhou ainda mais peso em sua vida. “Eu me agarrei ainda mais nas corridas para esquecer o que tinha acontecido.” Sozinha, chegou a um volume impressionante. “Cheguei a fazer 300 km no mês de outubro.”

Hoje, Juliane vê o impacto disso ao redor. “Sou embaixadora de corrida na minha cidade e acredito que incentivo as pessoas a correrem, porque corro lento, mas incentivo muito.” O reflexo aparece agora. “Na SP City desse ano (2026), muitos amigos vão fazer a prova inspirados na minha história.”

Talvez seja esse o maior legado de Juliane Maria Tavares. Não o tempo no relógio, mas as pessoas que decidiram correr porque viram, nela, a prova viva de que continuar também é uma forma de vencer.

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Never miss any important news. Subscribe to our newsletter.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não perca nada importante! Inscreva-se em nossa newsletter

Posts Recents

Editor's Pick