Quem treina para provas de rua já deve ter se deparado com uma tabela que cruza tempos de maratona, meia maratona, 5K e até milha para indicar metas equivalentes de desempenho. Nos últimos dias, uma dessas artes voltou a circular nas redes e gerou debate: afinal, esses números “fecham”? Dá para confiar?
Na base desse tipo de tabela está um dos modelos mais conhecidos da corrida de rua: o VDOT, criado pelo fisiologista americano Jack Daniels, autor do livro Daniels’ Running Formula. A ideia é simples, mas poderosa. A partir do tempo que um atleta corre em uma distância, é possível estimar sua capacidade aeróbica e, com isso, prever desempenhos equivalentes em outras provas.
Como funciona a lógica da previsão

O modelo parte do consumo máximo de oxigênio e da eficiência de corrida. Na prática, se um corredor corre 5 km em determinado tempo, existe uma faixa fisiológica em que ele poderia, com preparo adequado, sustentar ritmos proporcionais em provas mais longas. Por isso, tabelas VDOT relacionam milha, 5K, 10K, meia e maratona dentro de uma mesma linha.
Na arte que circula nas redes, por exemplo, uma maratona de 4h aparece associada a uma meia em torno de 1h56 e a um 5K perto de 25min. Esses valores batem, com pequenas variações de arredondamento, com as tabelas clássicas derivadas do modelo de Daniels.
Previsão não é promessa
É aqui que entra o ponto mais importante. A tabela não diz que todo corredor que faz 25 minutos nos 5 km vai correr uma maratona em 4 horas. Ela mostra que, do ponto de vista fisiológico, esses tempos são equivalentes. Para transformar isso em realidade, entram fatores decisivos: volume semanal, longões, treinos de ritmo, força muscular, estratégia de prova, alimentação e experiência.
O próprio Daniels sempre destacou que provas mais longas, como meia maratona, tendem a ser melhores preditores da maratona do que distâncias curtas, justamente porque a maratona exige muito mais resistência do que velocidade.
Como usar no treino
Na prática, a tabela serve como ferramenta para definir metas realistas, ajustar ritmos de treino e avaliar se o objetivo da maratona está coerente com o desempenho atual em provas menores. Ela ajuda a evitar erros comuns, como sonhar com uma maratona muito além do que os tempos recentes indicam.
No fim, a mensagem é clara: a tabela é um guia inteligente, baseado em ciência, mas quem dá a palavra final é o treinamento. Na maratona, especialmente depois do km 30, não há fórmula que substitua preparo consistente.











