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Corrida contra o câncer de mama

Apaixonada por esportes, a educadora física Luciana Assmann superou um tumor com ajuda do exercício e hoje auxilia outras pessoas a se recuperarem da doença

Por: Elcio Padovez - São Paulo - 05/12/2016
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Foto: Elcio Padovez

Praticar esportes e orientar pessoas a mudarem de vida com auxílio dos exercícios sempre foi o combustível para Luciana Castelli Assmann, 52 anos, encarar o trabalho e o dia a dia com muita disposição. Ela só não imaginava que seria justamente essa sua paixão pela atividade física que a ajudaria a superar um dos seus maiores desafios: vencer um inesperado câncer de mama, diagnosticado em 2012.

“Por levar uma vida saudável, sem beber e fumar, achava que estava blindada. Quando recebi a notícia do câncer, comecei a me perguntar: por quê eu? Até que passei a aceitar e inverter a pergunta: por quê não eu? Se veio para mim, o que vou fazer para reverter isso?”, lembra a educadora física, que é casada e mãe de um casal. Uma das respostas encontradas para superar a doença foi continuar a fazer exercícios regularmente, especialmente caminhada e corrida. “Era importante ficar segura de que estava bem fisicamente, pois isso ia me ajudar a passar pelo tratamento. O esporte é feito de desafios e eu encarei o câncer como o grande desafio da minha vida.”

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Foi assim, motivada, que Luciana iniciou essa corrida sem quilômetros ou cronometragem para se livrar do tumor no seio. Ela percorreu mais de dois anos de visitas ao Hospital São José, em São Paulo. Completou etapas como a quimioterapia, três cirurgias para reconstrução da mama e, por fim, a radioterapia. Nessa última fase, precisou ir diariamente ao hospital, durante dois meses. Lá, entrou em contato com outras pessoas que enfrentavam a doença e percebeu que tinha condições de ser muito mais do que uma simples paciente. “Quando cheguei à radioterapia, me deparei com gente na mesma situação que eu, mas que não tinha ânimo para fazer nada, nem mesmo levantar da cama. Mesmo em tratamento, procurei manter uma rotina de exercícios. Isso chamou a atenção de todos. As pessoas perguntavam de onde eu tirava tanta energia e disposição.”

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Luciana com o marido Plinio e a filha Vic | Foto: Arquivo pessoal

Desde que se formou em educação física, há 25 anos, Luciana se moveu pelo desafio de pegar um indivíduo com limitações e levá-lo a uma conquista, uma evolução. No início da carreira, trabalhou com crianças especiais e com problemas motores. Dentro do Hospital São José, esse senso de contribuir para que os outros deixassem para trás obstáculos e vencessem o câncer se tornou ainda mais forte. “Comecei a incentivar os pacientes a praticarem atividade física e passamos a trocar experiências. Quando percebi, estava trabalhando com isso.”

Logo, os corredores do hospital viraram pistas de caminhada e as salas, verdadeiras academias de ginásticas. “Eu tentava passar alguns exercícios para o pessoal. Cheguei a tomar bronca dos médicos pelo barulho e tumulto”, recorda Luciana. “Uma vez, um médico entrou na sala e pegou uma enfermeira fazendo abdominais. Mas, em vez de brigar, ele ficou curioso para saber se ela estava executando o movimento do jeito certo.” O “treinamento” junto com os pacientes do hospital seguiu até o fim do tratamento da educadora física. Hoje, completamente recuperada, ela continua se dedicando a auxiliar pessoas que estão lutando contra o câncer.

CAMINHADA PELA VIDA
Antes de descobrir o tumor na mama, Luciana Castelli Assmann gostava muito de correr. Com a doença, ela decidiu desacelerar um pouco e voltar a caminhar. “A corrida é uma consequência da caminhada e andar não tem contraindicação. E os benefícios são enormes. Corpo e mente se unem para movimentar”, explica a educadora física. “Sempre digo para meus alunos que tudo se inicia com uma boa caminhada. Ela é o começo de uma luta para o corpo gostar de se mover e evoluir até a corrida de curta, média ou longa distância.”

Luciana revela que esse espírito de evoluir aos poucos, passo a passo, a ajudou muito na época da doença, em especial após as sessões de quimio e radio, quando mal tinha forças para buscar um copo d’água. “Mesmo que alguém pudesse me ajudar, fazia questão de me levantar e tentar ir até a cozinha. Com o tempo, já estava conseguindo descer e dar uma volta pelo prédio. Depois, duas. O movimento me aliviava. É incrível como o organismo entra numa sensação de bem-estar, de liberar endorfina”, finaliza.

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Invista na caminhada É uma atividade física de acesso fácil, que pode ser realizada dentro do condomínio ou na rua de casa. Inicie com um quarteirão. Após sentir-se bem, aumente para dois e assim por diante.

Proteja as mamas Use um top confortável e com tecido respirável. O acessório é importante para manter a região segura e confortável durante a atividade física, principalmente após ter colocado próteses. Luciana recomenda retomar a caminhada depois de duas semanas do período pós-operatório.

 

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