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Ásia: sua próxima maratona pode estar lá!

O continente tem diversas corridas bem organizadas e com percursos incríveis. Conheça a história de alguns brasileiros que se desafiaram do outro lado do mundo

Por: Élcio Padovez - São Paulo - 17/07/2017
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Maratonas na Ásia Muralha da China

Os atletas sobem e descem mais de 5 mil degraus na Maratona da Muralha da China | Foto: Divulgação

Se você busca novos caminhos para disputar uma maratona, que vão além do Brasil ou das provas internacionais que todo mundo faz, saiba que a Ásia pode ser um ótimo destino.

Ainda pouco exploradas pelos corredores-viajantes brasileiros, as competições do maior continente do mundo têm crescido bastante e chamado cada vez mais atenção do mercado mundial. Prova disso é que desde 2013 a Maratona de Tóquio integra o Abbot World Marathon Majors. E, em breve, mais uma corrida de 42,195 km asiática (provavelmente Cingapura) deve fazer parte do maior circuito de corridas de 42 km do mundo, que vai passar a ter oito provas, em vez de seis.

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Claro que as opções para correr na Ásia não se restringem a essas duas maratonas. Com 45 países e um território que se estende da Rússia oriental até próximo da Austrália, o continente apresenta um número expressivo de corridas longas. Segundo o site internacional Marathon Ahotu, entre 2017 e 2018, estão previstas a realização de 181 meias e maratonas por lá.

Maratonas na Ásia

Maria terminou emocionada a Maratona da Muralha da China | Foto: Arquivo Pessoal

Quem já foi gostou
Diversos brasileiros que participaram de corridas asiáticas elogiam a organização, receptividade e torcida do povo nos eventos esportivos – sem falar da oportunidade de colocar no currículo uma medalha e uma experiência em terras tão distantes. Esse é o caso da piauiense Maria José da Silva, de 61 anos, que em 2015 decidiu viver um sonho que a perseguia desde a infância: conhecer a Muralha da China.

Só que Maria não queria ir até o outro lado do mundo apenas fazer selfies em uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. Seu objetivo era vencer os espinhosos 42,195 km que a edificação chinesa impõe a cerca de três mil guerreiros todos os anos. “Eu fazia alguns treinos na Universidade de São Paulo e um amigo, que tinha vontade de participar da maratona, lançou o desafio. E não é que, após 90 dias de conversa, com uma preparação específica para correr em montanha e uma nova dieta, lá estava eu de frente para aquela maravilha”, relembra.

O paredão cheio de calor humano
A corrida rendeu a Maria memórias inesquecíveis, principalmente pelos perrengues que enfrentou – como os pontos de apoio muito isolados uns dos outros e os mais de 5 mil degraus que são necessários subir para completar a prova. A maratonista do Piauí conta que entrou em desespero no quilômetro 35, que percorreu com o pace de 23 min/km. “Como o tempo máximo da prova é de oito horas, e eu estava com uma perna mais cansada do que a outra, além de ter visto muita gente “quebrar” no caminho, pensei: não vai dar. Porém, finalizei a muralha brigando para ser sub 7h, com o tempo de 6h50min52seg.”

A brasileira revela que ficou emocionada não só por ter conquistado um excelente tempo em sua categoria, mas também pelo apoio que os chineses deram ao longo do caminho. “Eles vibravam por todos os atletas e as crianças ofereciam flores”. Maria gostou bastante da organização do evento, desde o momento da inscrição até a entrega da medalha. “Quando você cruza a linha de chegada, anunciam seu nome e aumentam o som. Vira uma festa incrível, cheia de energia.”

Maratonas Ásia Muralha

Rogério Sthanke achou a Maratona da Muralha da China desafiadora | Foto: Reprodução do Instagram

Um desafio do tamanho da muralha
A edição deste ano, que aconteceu em 20 de maio, teve entre os participantes o coach paulistano Rogério Sthanke, de 36 anos, que após seis horas de muito sobe, desce e corre pela e em volta da muralha, tenta resumir o que, nas palavras dele, foi algo inexplicável.

“A viagem toda é algo desafiante. São muitas horas de voo, sentado, e isso aumenta o desgaste. Cheguei três dias antes da maratona e só consegui rodar um dia 8 km para soltar as pernas. Tem a poluição também, que eu senti um pouco. Até a alimentação lá foi complicada. Como eu sigo uma dieta muito controlada, sem ingestão de sal e pimenta, estranhei muito a gastronomia local, que usa bastante esses condimentos.”

Durante sua preparação, Sthanke fez muitos treinos subindo o Pico do Jaraguá, ponto mais alto da cidade de São Paulo, a 1.135 m acima do nível do mar. Ele destaca que é importante para quem vai correr a prova asiática tentar se habituar aos obstáculos do trajeto. “Em primeiro lugar, a Muralha da China é uma prova de superação, e não de velocidade. O piso é irregular e o Pico do Jaraguá me ajudou muito nisso, especialmente até o quilômetro 30. O grande problema dessa maratona começa no quilômetro 34, que é a pior parte, pois é o momento de voltar ao contrário dentro da muralha, com degraus muito altos e 8 km de subida e descida, foi sofrido para mim e tive bastante dor. É um grande teste para os joelhos”.

Se você se sentiu desafiado a encarar a fortaleza chinesa, a organização da maratona já anunciou a data para 2018: 18 de maio. Todos os detalhes sobre a corrida estão em great-wall-marathon.com.

Maratonas na Ásia

Foto: Reprodução do site oficial da Maratona de Pyongyang

A Coreia do Norte abre suas portas para os 42K
Mesmo que o caminho seja mais plano e menos tortuoso do que a prova na China, correr a Maratona de Pyongyang, na capital da Coreia do Norte, realmente não é para qualquer um. Para começar o desafio, é preciso contratar uma excursão para entrar no país. Por conta própria, esqueça, como explica a advogada Mariana Peternelli, 36 anos, que vive atualmente em Pequim. Em abril desse ano, ela pôs o tênis para rodar nas terras de Kin-Jon-Un, o líder (e ditador) máximo norte-coreano.

“Já moro há quase dois anos na Ásia, e sempre ouvi falar dessa maratona, mas não conseguia me preparar para disputá-la, por conta do excesso de poluição em Pequim, que inviabiliza treinos longos na rua. Só após um ano aqui que eu me rendi a esteira”, comenta Mariana, que revela que foi uma bolacha de cerveja em um bar que a fez reacender o desejo de participar da prova.

Ela leu no porta-copo de papel que as inscrições para a Maratona de Pyongyang ainda estavam abertas. Empolgada, entrou em contato com uma das operadoras que levam estrangeiros para correr na Coreia do Norte e fechou o pacote. A brasileira, que mora na China em missão diplomática, só não esperava que seu passaporte quase a impedisse de realizar seu sonho. “Como tenho status diplomático aqui, a agência disse que não poderia me levar. Aí, entrei em contato direto com o órgão norte-coreano que organiza as entradas e me deram ok. O embaixador brasileiro lá é amigo e ajudou a facilitar minha viagem.”

Ainda em terras chinesas, ela pesquisou as normas e regras daquele que é considerado por muitos o país mais fechado para o mundo. “É preciso viajar acompanhada pela agência, que “guia” os turistas durante toda a estadia na Coreia do Norte.” Outro ponto que chamou atenção foi a grande fiscalização feita pelos militares dentro do aeroporto, que confiscavam os jornais vindos da China no voo, além de questionar os passageiros sobre o porte de celulares e livros, e o teor deles. O clima era de certa tensão, já que a corrida foi realizada em abril, quando existiam as ameaças de um confronto entre a Coreia do Norte e os EUA.

Maratonas na Ásia - Coreia do Norte

A boa organização e o culto aos governantes chamou a atenção de Mariana na Maratona de Pyongyang | Foto: Arquivo Pessoal

Mas no dia 9 de abril, tudo rolou tranquilamente para a brasileira, que optou por fazer os 21,097 km da prova, que integra o calendário de comemorações pelo aniversário de Kin Il-Sung, o fundador do regime isolacionista no país, em maio de 1948, e avô do atual líder supremo, Kin Jon-Un. “Corri sem preocupação com o tempo. Nas 2h36min que levei para fechar o trajeto plano, percebi como o culto aos líderes do país é forte. Eles são tratados como deuses.”

Diversidade e novos caminhos
A experiência na Coreia do Norte acendeu o espírito de corredora e viajante da advogada dentro da Ásia. No momento, ela faz planos para encarar a próxima edição da Maratona do Templo de Bagan, em Mianmar, no fim do ano, e da Maratona da Muralha da China, em 2018. “Este é um continente muito variado e que dá muitas oportunidades de correr em países com cultura e geografia diferentes. Cada lugar experiências trajetos únicos.” Se você se animou e quer um novo desafio em outro continente, confira o calendário com as principais maratonas na Ásia que estão por vir. Boa viagem!

Maratona da Mongólia
2 de agosto
ms2s.dk/

Maratona de Ankhor Wat (Camboja)
6 de agosto
www.angkorempiremarathon.org/

Maratona de Da Nang (Vietnã)
6 de agosto
rundanang.com/

Maratona de Kuching (Malásia)
13 de agosto
sarawaktourism.com/event/kuching-marathon/

Maratona de Petra (Jordânia)
26 de agosto
petra-desert-marathon.com

Maratona de Hokkaido (Japão)
27 de agosto
hokkaido-marathon.com/2017/

Maratona do Lago Sun Moon (Taiwan)
29 de outubro
sunmoonlakemarathon.com/

Maratona de Rayong (Thailândia)
26 de novembro
marathons.ahotu.com/event/rayong-marathon

Maratona do Templo de Bagan (Mianmar)
26 de novembro
bagan-temple-marathon.com

Maratona de Cingapura
2 e 3 de dezembro
singaporemarathon.com/

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